As águas de março fecharam o verão e a entrada de Santos. Ilhados na Avenida Martins Fontes e na Avenida Nossa Senhora de Fátima, parados por cinco horas na Serra do Mar, tantos eram a praguejar na mais profunda agonia da perda de tempo, de energia, de vida.  

Sexta e sábado foram dias em que a paciência do santista desceu água abaixo e a revolta transbordou o limite do bom senso. Nas redes sociais, mais do que cobrar soluções que já não esperam, munícipes xingavam o prefeito. Foram enxurradas de impropérios, do mais baixo calão.      

Um claro sinal de que a insatisfação popular com a má gestão de recursos e contratos passou dos limites.

O projeto de macrodrenagem Santos Novos Tempos, que já deveria ter sido concluído há anos, foi esquecido na gaveta da falta de gestão e da vontade política. O plano acabaria com as enchentes na entrada de Santos, no Saboó, e nos demais bairros da Zona Noroeste que alagam na primeira chuva forte.

No sábado, barracas de feira margeavam o rio que se formou na Rua Marquês de São Vicente, no Campo Grande, para o desgosto dos feirantes que perderam o dia de trabalho e mercadoria. A feira, que antes era montada na Avenida Francisco Glicério, foi transferida devido aos trilhos do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Antes da via férrea do VLT, a região não alagava. As enchentes são a “maldição” do VLT. Há diversos pontos de estações do VLT, onde o entorno alaga porque não foram feitas obras de drenagem, por certo para economizar recursos investidos na infraestrutura do modal.   

É a “lama”, é a “lama”...

 

Feirante fez vídeo do alagamento na Rua Marquês de São Vicente, no Campo Grande, no último sábado (Frame)

Feira foi prejudicada no sábado devido ao alagamento da Rua Marquês de São Vicente (Frame de vídeo feito por feirante)

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